Joanna Maranhão abre III Fórum Esporte Seguro com defesa da escuta aos atletas
Especialista destaca 'coragem institucional' do COB e reforça importância de construir ambientes esportivos mais seguros

Grazie Batista/COB
A construção de um esporte mais seguro passa pela coragem de enfrentar temas sensíveis, pela escuta dos atletas e pelo compromisso permanente das instituições. Essa foi a mensagem central da abertura da III Edição do Fórum Esporte Seguro – Esporte Seguro é para Todos, realizada nesta quinta-feira (6), no Hotel Hilton Copacabana, no Rio de Janeiro.
Promovido pelo Comitê Olímpico do Brasil, através do Instituto Olímpico Brasileiro, o evento reuniu atletas, dirigentes, especialistas e representantes de diferentes áreas do esporte para discutir prevenção, proteção e responsabilidade na criação de ambientes esportivos mais acolhedores. Na primeira fala do dia, o presidente do COB, Marco La Porta, reforçou que o Esporte Seguro é um compromisso permanente da da atual gestão do COB. Para o dirigente, o desenvolvimento esportivo exige equilíbrio entre a busca por resultados e a construção de relações baseadas no respeito.
“Este é um tema inegociável para o COB. O Esporte Seguro não pode existir apenas no dia de um fórum. Ele precisa estar presente todos os dias, em todas as instituições esportivas”, afirmou La Porta.
A abertura da programação contou com uma palestra de Joanna Maranhão, coordenadora de Networking da Sport & Rights Alliance, que trouxe ao Fórum sua experiência como atleta olímpica, pesquisadora e especialista em temas relacionados à proteção de atletas e safeguarding. Em sua apresentação, Joanna destacou que a realização de um encontro dedicado ao Esporte Seguro representa uma demonstração de maturidade institucional e disposição para enfrentar desafios que fazem parte da realidade esportiva.
“Eu acho que o que o COB fez aqui é um sinal de coragem institucional. É preciso coragem para abrir essa porta e não saber exatamente o que vamos encontrar do outro lado quando começamos a trabalhar com esse tema. Pode ser que o problema seja maior do que imaginamos, mas essa disposição de enfrentar a questão, apesar dos riscos, é muito importante”, afirmou.
Segundo Joanna, reconhecer as dificuldades existentes no esporte não diminui a importância das conquistas alcançadas por atletas brasileiros. Para ela, olhar para esses desafios é parte fundamental do processo de evolução do ambiente esportivo. “Quem ama o esporte não se preocupa em apontar as mazelas. Pelo contrário: olhar para elas é uma forma de fazer com que o esporte alcance todo o seu potencial”, destacou.
A especialista abordou o papel dos atletas sobreviventes na construção de políticas de proteção. Segundo Joanna, soluções mais efetivas precisam ser desenvolvidas com a participação daqueles que vivenciaram situações de violência e conhecem os desafios desse processo - e que devem parte do processo desde o dia 1.
“Quando a gente cria políticas apenas entre aqueles que têm poder de decisão, sem escutar quem sofreu essas violências, a chance de a solução ser menos efetiva é muito maior. Quando esses atores conseguem construir juntos, com abertura para ouvir quem viveu essas experiências, a possibilidade de chegar a um resultado mais justo aumenta”, explicou.
Após a palestra de Joanna Maranhão, o Fórum seguiu com a mesa-redonda “O Atleta no Centro do Esporte Seguro”, que reuniu a própria especialista, Fernanda Nunes, presidente da Comissão de Atletas do Comitê Olímpico do Brasil (CACOB), e Daiane dos Santos, atleta olímpica da ginástica artística. A conversa teve mediação de Mariany Nonaka, coordenadora da área Esporte Seguro do COB.
Para Joanna, apreciar e consumir esporte não invalida o olhar crítico e atento sobre este universo. "Eu ainda consigo, e acho que muita gente também, olhar para os Jogos Olímpicos e me emocionar. Ver a cerimônia de abertura de Jogos Olímpicos, vibrar quando o Brasil ganha alguma medalha, quando um brasileiro faz sua melhor marca. Mas, ao mesmo tempo, eu olho e penso que tem muito atleta que sofreu muita violência pra chegar lá. Temos que encontrar espaço pra essas duas coisas coexistir para chegar a um ambiente mais saudável", acredita.
Ao longo do dia, a III Edição do Fórum Esporte Seguro segue nos debates sobre cultura, políticas e responsabilidade das organizações esportivas, mentalidade do alto rendimento e o papel da área da saúde na construção de ambientes seguros. A iniciativa reforça a agenda do COB de promover conhecimento, diálogo e boas práticas para fortalecer uma cultura de prevenção e proteção no esporte brasileiro.









