“Precisamos ter coragem”: mulheres discutem novos espaços e cargos de liderança na gestão esportiva

Magic Paula, Iziane e Roberta Moretti contam suas trajetórias na COB Expo 2026, apontam avanços e desafios da representatividade feminina nos cargos de decisão

Por Comitê Olímpico do Brasil

2 de out, 2026 às 13:11 | 2 minutos de leitura

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Leo Barrilari/COB

O debate sobre a presença feminina nos cargos de liderança esportiva ganhou espaço na COB Expo 2026 com relatos sobre barreiras de acesso, pressão por desempenho e a necessidade de ampliar as oportunidades para mulheres em posições de comando. Em mesa formada por Iziane Marques, Secretária Nacional de Excelência Esportiva do Ministério do Esporte, Magic Paula, embaixadora do Comitê Brasileiro de Clubes (CBC), e Roberta Moretti, Presidente da Confederação Brasileira de Cricket, um dos diagnósticos foi de que o avanço da participação feminina precisa chegar também aos espaços de decisão.

O trio compartilhou suas próprias experiências e destacou que houve avanços nas últimas décadas, mas ainda notam que as mulheres ocupam majoritariamente funções operacionais.

“Caminhamos bastante nos últimos tempos. Quando eu era jogadora, éramos chamadas direto de ‘sapatão e galinha’ nas arquibancadas. Hoje vemos mulheres ocupando seus lugares, mas ainda é muito nas áreas de apoio e operacionais. Precisamos ter coragem, nos dispormos a ocupar cargos de liderança, acho que ainda nos recolhemos muito em relação a isso”, disse Magic Paula, campeã mundial de basquete em 1994 e medalhista de prata olímpica em Atlanta 1996.

Iziane, outra referência do basquete nacional, traz uma visão complementar a de Paula. Para ela, a representatividade tem um peso adicional em ambientes com presença feminina ainda limitada.

“Não sou só uma mulher, sou uma mulher preta. Isso também é importante no sistema político. Entendemos que estamos ali como figura simbólica. Nesses três anos no Ministério do Esporte, fiz questão de mostrar que, quando nos é dado espaço e oportunidade, conseguimos fazer um trabalho muito bom”, afirmou.

Já Roberta Moretti é uma das poucas mulheres que ocupam a presidência de uma confederação olímpica. O caso se torna ainda mais emblemático tendo em vista que o cricket é uma modalidade historicamente marcada pela predominância masculina.

“O cricket tem 80% de participação masculina a nível mundial, mas vejo que a confederação brasileira é muito inclusiva, desde antes de eu ocupar a presidência. Meu crescimento na entidade foi gradual e sempre de forma inclusiva”, comentou a primeira mulher a presidir uma federação nacional de cricket nas Américas.

Ao longo do debate, as três participantes reforçaram que ampliar a presença feminina na gestão esportiva passa não apenas pela abertura de oportunidades, mas também pela permanência e pela preparação para assumir responsabilidades de liderança. Dessa forma, o painel da COOB Expo pode mostrar diferentes etapas dessa trajetória feminina: conquistar espaço, estar preparada para ocupá-lo e criar condições para que outras mulheres também possam chegar aos cargos de decisão.

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