Avassalador, Gabriel Fonseca é ouro no taekowndo nos Jogos Panamá 2026
Lutador de 18 anos domina a categoria -63kg. Compatriota Nicolas Kalkmann leva ouro na -48kg

Juliana Ávila/COB
A campanha de Gabriel Fonseca na categoria -63kg do taekwondo dos Jogos Sul-Americanos da Juventude nesta quarta-feira, 22, foi impressionante. Nas duas primeiras lutas que fez, quartas e semifinal, venceu todos os sets por point gap - quando a diferença entre os lutadores chega a 12 pontos e o combate é automaticamente finalizado. Nas quartas, se impôs frente ao uruguaio Aharon Rivero. Na semi, derrotou o anfitrião Andres Lasso, que contava com todo o apoio da torcida, para carimbar a passagem para a final com duas vitórias por 2 a 0. Na decisão, mais uma vitória tranquila por 2 a 0, dessa vez sobre o venezuelano Juan Soto.
"Desde a hora em que acordo até eu dormir, sempre preparo muito minha a cabeça. Uma coisa muito boa em mim é a parte mental. Na hora do treinamento, eu treino pensando já no campeonato, no que eu vou fazer. E quando chega a hora eu só me concentro, vou lá e faço tudo que eu faço", descreveu.
A dominância fica ainda mais impressionante quando se constata que Gabriel era menor que todos os seus oponentes. O que tem sido uma constante nas competições que disputa. "Desde que virei atleta eu sempre sou o mais baixo da categoria. Mas isso não me afeta em nada. Eu entro na luta já pensando em uma técnica e no que fazer que quando a outra pessoa é maior, o que encaixa melhor. Vou variando altura, força", explicou.
Para o chefe de equipe e coordenador de base da Confederação Brasileira de Taekwondo, Guilherme Félix, isso tem feito a diferença para que Guilherme conquiste bons resultados. "Ele não tem o biotipo padrão, geralmente os adversários são maiores que o Gabriel. Mas ele compensa na técnica. O Gabriel tem uma excelente tomada de decisão nas lutas", elogiou.
Ainda que mostre inteligência para seu jogo, Gabriel explicou que se prepara muito para isso também. Mesmo que ele jamais tivesse enfrentado nenhum dos seus adversários no Panamá, eles não eram uma incógnita. "Eu conhecia todos. Assisti a lutas deles para estudar o jogo de cada um, chegar mais preparado e não ter surpresas", contou. Depois foi só adaptar para a rotina de preparação. "Treino todos os dias para saber decidir. Tudo que envolve a luta: tanto o momento certo de entrar como o momento certo de sair. A hora de chutar, quando o certo é só defender", enumerou.
E assim os resultados vêm aparecendo. No Mundial sub-21 da modalidade, no final de 2025, no Quênia, conseguiu uma inédita medalha de bronze para o Brasil. "Estou muito feliz com o meu desenvolvimento desde o ano retrasado. Em 2024 ganhei a Gymnasiade. Ano passado ganhei o Pan Jr. Em dezembro fui o primeiro medalhista do Brasil num Mundial sub-21. E 2026 está sendo maravilhoso até agora. Sinto que estou num nível bem alto já", analisou.
Mas isso não vai interromper a preparação. De volta a São Paulo, Gabriel retoma os treinos porque os sonhos são grandes. "Quero chegar muito longe. Meu objetivo é ser campeão mundial e depois chegar nos Jogos Olímpicos. E ganhar a medalha de ouro, não basta chegar. Quero ser campeão." A parte mental para isso já parece bem preparada.
Brasil conquista mais um ouro e um bronze
Outro atleta brasileiro a garantir hoje foi Nicolas Kalkmann, que levou ouro na categoria -48kg. Já Alícia Silva ficou com o bronze na -63kg feminino.












