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Feito para o taekwondo, Nicolas Kalkmann é ouro no Panamá

Catarinense vence a categoria -48kg. Gabriel Fonseca também é ouro na -63kg

Por Comitê Olímpico do Brasil

22 de abr, 2026 às 16:30 | 3 minutos de leitura

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Juliana Ávila/COB

O catarinense Nicolas Kalkmann conquistou a medalha de ouro no taekwondo dos Jogos Sul-americanos da Juventude Panamá 2026 nesta quarta-feira, 22. Numa campanha consistente, Nicolas venceu os três combates que fez para se sagrar campeão na categoria -48kg masculino. Nas quartas de final, derrotou o venezuelano Santiago Zapata por 2 a 0, mesmo placar da semi contra o argentino Liendro Bautista. Na final contra o equatoriano Pedro Orbea, outro 2 a 0 - mas com o primeiro set vencido no desempate.

"Comecei muito bem minhas lutas. Como é uma competição internacional, tinha que entrar muito ligado. Não são oponentes que enfrento no Brasil todo mês, não conheço eles. Mas a final foi mais dura. Foi uma luta muito acirrada no primeiro round, porque o menino era muito rápido e eu estava esperando demais. Dei uma vacilada, deixei escapar um pouco, mas consegui buscar no finalzinho. Já no segundo round encaixei meu jogo. Evitei entrar com os mesmos erros", analisou.

Agora Nicolas quer torcer pelos companheiros e aproveitar o ambiente dos Jogos Sul-americanos da Juventude. "É minha primeira vez em algo assim e achei é excepcional. A estrutura do evento, o pessoal dos outros países, a socialização. Está sendo gratificante representar o Brasil. Estou aproveitando muito e ainda vou aproveitar. Como lutei logo no primeiro dia, ainda tenho mais três dias para aproveitar tudo. Só tenho a agradecer por estar aqui. Por terem acreditado no meu trabalho. Eu vim aqui e fiz", disse.

Tamanha maturidade aos 16 anos é resultado de quem ainda muito jovem se viu diante susto na vida. As fortes dores que sentia na canela direita e que pareciam ser normais na vida deste atleta eram, na verdade, osteomielite. Em Recife para uma competição, Nicolas recebeu o resultado de um exame e teve que ser internado às pressas. “Lá mesmo já me colocaram na emergência. O médico me disse que eu podia ter septicemia (inflamação que pode levar à morte). Estava com osteomielite, continuava dando um monte de chute com a canela, viajando de avião, o que não era recomendável. Olha o desespero! Eu em Pernambuco, minha família em Santa Catarina”, relembrou. 

Nicolas viveu momentos de genuíno terror. “Chorei a noite toda. Minha carreira tinha acabado de começar e eu estava apavorado achando que ia perder a perna.” Por fim, ele foi transferido para Santa Catarina, prontamente entrou em cirurgia e tudo correu bem. “Tive alta antes do planejado, fui liberado para o esporte em três meses. Voltei a treinar meio receoso, mas logo na primeira competição eu medalhei em terceiro lugar”. 

E de lá para cá não parou mais. Bicampeão dos Jogos da Juventude, bicampeão brasileiro, e agora ouro nos Jogos Sul-americanos da Juventude. "E quero mais. Já estou classificado para o brasileiro deste ano, vão começar as seletivas para os Jogos da Juventude em Foz do Iguaçu. Quero conseguir o tri dos dois", revelou

Hoje, com a medalha de ouro no pescoço, Nicolás se permitiu sorrir ao lembrar de tudo que passou. "Eu diria para aquele menino chorando assustado no hospital: 'isso vai ser só um teste - porque para mim foi isso, um teste - para ver se você realmente quer isso para a sua vida. E pode continuar firme e forte que você vai ter muito caminho pela frente'. Porque eu sei que isso é o que quero para mim. Eu escolhi seguir e hoje eu estou colhendo os frutos", refletiu.

Brasil conquista mais um ouro e um bronze

Outro atleta brasileiro a garantir hoje foi Gabriel Fonseca, que venceu a categoria -63kg masculino. Já Alícia Silva ficou com o bronze na -63kg feminino.

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