Opinião: Nos Jogos Olímpicos de Inverno, porta-bandeiras do Brasil se tornam o ‘rosto’ do país na neve e no gelo
Mais do que homenagem, escolha de Nicole Silveira e Lucas Pinheiro Braathen representa a nova fase do Brasil em Milão-Cortina 2026

Helena Petry/COB
*Por Gustavo Longo, especialista em Jogos Olímpicos de Inverno
O que determina a escolha de um porta-bandeira em uma competição esportiva? Superação, resultados e trajetória são apenas alguns dos fatores. Porém, quando se trata do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno, é necessário ir além. Mais do que representar o país, os atletas precisam apresentar a si mesmos e suas modalidades. Em suma: devem ‘furar a bolha’ entre os torcedores.
Anunciados na última quarta-feira, 04 de fevereiro, Nicole Silveira, do skeleton, e Lucas Pinheiro Braathen, do esqui alpino, representam muito bem esta nova fase do Brasil nos esportes de inverno. Nas últimas duas temporadas, mesmo o fã mais desatento certamente já viu alguma notícia ou post nas redes sociais sobre os dois.
Ambos reúnem características marcantes do povo brasileiro – e justamente por isso são vitoriosos.
Nicole simboliza o Brasil ‘raiz’: determinada e batalhadora, sabe que apenas com trabalho duro é possível vencer no esporte e na vida. Sua trajetória foi recompensada por ser a primeira atleta do país a ganhar uma medalha em uma etapa de Copa do Mundo de esporte de inverno. Lucas é o Brasil cosmopolita, acolhedor e criativo, capaz de encontrar soluções inovadoras diante das adversidades. Suas dez medalhas nas últimas duas temporadas exemplificam isso. Feitos históricos que trouxeram novos torcedores – e admiradores – aos esportes de inverno no Brasil. Não à toa são os principais embaixadores dessas modalidades no país.
Sempre foi assim desde que o Brasil estreou nos Jogos Olímpicos de Inverno de Albertville 1992. Nas primeiras edições, era necessário marcar presença internacional – e o esqui alpino, esporte de inverno que o país compete desde a década de 1960 – foi o escolhido para levar a bandeira brasileira. Hans Egger (1992), Christian Munder (1994), Marcelo Apovian (1998) e Mirella Arnhold (2002), todos da modalidade, tiveram a oportunidade de mostrarem o Brasil para o mundo na abertura.
Após Salt Lake City 2002, com a expansão do Brasil para outros esportes de inverno, tornou-se necessário mostrar que o país estava consolidado no evento. Por isso, os porta-bandeiras eram justamente atletas que ‘furaram essa bolha’. Foi assim com Isabel Clark (Turim 2006 e Vancouver 2010), Jaqueline Mourão (Sochi 2014 e Beijing 2022) e Edson Bindilatti (PyeongChang 2018 e Beijing 2022). Por seus próprios méritos, eles foram responsáveis por desmistificar as modalidades de neve e de gelo, abrindo caminho para o cenário que estamos hoje.
Agora, Nicole Silveira e Lucas Pinheiro Braathen representam este novo momento do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno. Pela primeira vez, o país chega com chances de medalhas, ainda que seja difícil, claro. São dois atletas que se acostumaram a levar a bandeira brasileira ao pódio das principais competições de inverno.
Natural, portanto, que eles carreguem novamente o nosso pavilhão na Cerimônia de Abertura de Milão-Cortina 2026. É hora de mostrar a todo mundo que o Brasil disputa, compete e também pode vencer na neve e no gelo.
Curiosidades dos porta-bandeiras do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno
-O Brasil já disputou nove dos 16 esportes do programa Olímpico de inverno e seis deles tiveram atletas como porta-bandeira do Brasil: esqui alpino, esqui cross-country, biatlo, snowboard, bobsled e, agora, skeleton.
-Milano Cortina 2026 será a segunda edição consecutiva que dois atletas serão porta-bandeiras do Brasil. Em Beijing 2022 a honra foi dos experientes Jaqueline Mourão e Edson Bindilatti.
-Jaqueline Mourão, com pouco mais de 46 anos em Beijing 2022, foi a atleta mais velha a carregar a bandeira brasileira na Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno.
-Mirella Arnhold, com 18 anos em Salt Lake City 2002, foi a mais jovem.
-Com Lucas e Nicole, nove atletas foram escolhidos como porta-bandeiras: cinco homens (Hans Egger, Marcelo Apovian, Christian Munder, Edson Bindilatti e Lucas Pinheiro Braathen) e quatro mulheres (Mirella Arnhold, Isabel Clark, Jaqueline Mourão e Nicole Silveira).
-Apenas Isabel Clark, Jaqueline Mourão e Edson Bindilatti tiveram a honra de levar a bandeira na Cerimônia de Abertura em duas edições dos Jogos Olímpicos de Inverno.
-Lucas Pinheiro Braathen é o primeiro atleta nascido fora do Brasil a ser escolhido como porta-bandeira do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno.
Brasil com Rebeca Andrade na Cerimônia de Abertura em Milão-Cortina 2026
Além dos nossos porta-bandeiras, o Brasil também estará presente em outros ritos da Cerimônia de Abertura dos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026. Destaque para Rebeca Andrade, maior medalhista da história do país. Ela foi convidada pelo Comitê Olímpico Internacional para carregar a bandeira Olímpica para hasteamento em Milão, uma homenagem pelo seu destaque dentro do Olimpismo.
Outros artistas bem conhecidos do público brasileiro estarão presentes. Laura Pausini, com mais de 16 passagens pelo país, é uma das artistas confirmadas para a Cerimônia de Abertura. Andrea Bocelli, também com shows recentes no país, é outro nome de peso.
Pela primeira vez, haverá duas piras Olímpicas em cidades distintas (uma em Milão e outra em Cortina d’Ampezzo). E desta vez não teve mistério: o design foi revelado dias antes. Agora, é só aguardar a chama Olímpica para acender as piras e aquecer o coração dos torcedores pelos próximos 17 dias!












