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Milão-Cortina

Opinião: Que os bons ventos italianos continuem com o Time Brasil

Após estreia perfeita no esqui cross-country, a expectativa é que a boa fase se estenda aos demais competidores, a começar pelo snowboard halfpipe nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026

Por Comitê Olímpico do Brasil

10 de fev, 2026 às 20:15 | 2min de leitura

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Foto: Gabriel Heusi/COB

*Por Gustavo Longo, especialista em Jogos Olímpicos de Inverno 

 

A estreia do Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 foi totalmente positiva. Graças aos esforços de Manex Silva, Eduarda Ribera e Bruna Moura no esqui cross-country, o país atingiu o primeiro top 50 na modalidade, a melhor marca Olímpica em pontuação FIS e o melhor desempenho feminino no sprint. Porém, mais do que os feitos em si, os resultados trazem aquilo que é mais importante para uma delegação em evento multiesportivo: tranquilidade para os atletas que competirão na sequência. 

 

Este foi apenas a primeira participação do Brasil na neve italiana. Até dia 22, data da Cerimônia de Encerramento, teremos mais provas e representantes para torcer em cinco esportes distintos. A começar por Pat Burgener e Augustinho Teixeira no snowboard halfpipe nesta quarta-feira, 11 de fevereiro. O primeiro, inclusive, pode até não conquistar medalha, mas chega cotado a pegar final e ficar entre os oito melhores – o que poderá ser nosso primeiro top 8 em um esporte Olímpico de inverno. 

 

Uma responsabilidade que, convenhamos, nenhum atleta deveria carregar sozinho em seus ombros. Mas que certamente fica mais leve quando seus colegas conquistam bons resultados antes de você. É como se o ‘zeitgeist’, a palavra alemã para ‘espírito do tempo’ mostrasse que os ventos são favoráveis para a equipe brasileira. 

 

Não há dúvida de que existe uma diferença fundamental entre competir sabendo que seus companheiros estão alcançando os objetivos no evento e de pensar que, de repente, você é a única – ou última – esperança de bom resultado para seu país. Não faltam exemplos disso a cada edição Olímpica, seja de verão ou inverno, inclusive com o Brasil. Entrar com essa ‘obrigação’ nos ombros apenas compromete ainda mais o desempenho esportivo. 

 

A beleza de um evento como os Jogos Olímpicos de Inverno é justamente proporcionar aos atletas e torcedores a possibilidade de conhecerem mais pessoas que compartilham seus sonhos e preferências. Seja no esqui cross-country, snowboard, esqui alpino, bobsled e skeleton, formamos uma comunidade que quer levar ao gelo e à neve a alegria daqueles que não estão competindo. Assim, quando um alcança um ótimo resultado, todos saem ganhando. É a melhor forma de provar que a alegria é realmente contagiante.  

 

E se este bom resultado vier logo na primeira oportunidade, melhor ainda! Mais fácil para contagiar aqueles que ainda estão em casa descobrindo as modalidades pela televisão e certamente querendo entender mais quando o próximo atleta entrar em cena. 

 

 

O que você (ainda) não viu sobre a estreia do Brasil em Milão-Cortina 2026 

  • Mais do que os recordes já registrados por Manex Silva, Eduarda Ribera e Bruna Moura, os três foram os melhores atletas da América do Sul na disputa, ficando a frente de Argentina, Colômbia, Chile, Venezuela e Bolívia. 

  • Manex Silva treina com a forte equipe espanhola de sprint, mas conseguiu derrotar um deles: Marc Colell Pantebre foi o 55º, dois segundos atrás do brasileiro (48º) 

  • Mesmo competindo na técnica clássica do sprint, mais cansativa, Manex subiu incríveis 23 posições na classificação em quatro anos (foi 71º em Beijing 2022) 

  • Eduarda Ribera também saltou na disputa feminina: 15 posições em quatro anos, saindo da 87ª para a 72ª colocação; Bruna Moura, estreante, ficou à frente de 13 competidoras 

  • Muito emotiva, Bruna Moura completou sua primeira prova Olímpica quatro anos após sofrer acidente de carro que a tirou de Beijing 2022. Ela também carregava uma foto da sua avó e sua amiga, que faleceram neste ciclo Olímpico 

  • Os três ainda terão compromissos em Milão-Cortina 2026: competirão nos 10km em técnica livre no dia 12 (feminino) e no dia 13 (masculino). Eduarda e Bruna também competirão no sprint por equipes em 18 de fevereiro.  

 

Números e curiosidades do Brasil no snowboard halfpipe em Milão-Cortina 2026 

  • Prova marca o retorno do Brasil ao snowboard Olímpico após oito anos. Última vaga foi de Isabel Clark em PyeongChang 2018, mas ela não largou no cross devido a uma lesão. 

  • É a primeira vez que o Brasil terá representantes no snowboard masculino. Antes, as quatro participações foram de Isabel Clark. 

  • Pat Burgener e Augustinho Teixeira podem conseguir o melhor desempenho da América do Sul no snowboard masculino entre os homens – melhor marca pertence ao argentino Mariano López, 21º no slalom gigante em Nagano 1998. 

  • Augustinho Teixeira já tem o melhor resultado masculino do Brasil em campeonatos mundiais de snowboard com a 18ª posição em 2025 

  • Pat Burgener passou a competir pelo Brasil e detém uma ‘invencibilidade’: passou à final nas quatro provas que disputou até o momento 

  • Quatro meses: foi o tempo que Pat Burgener precisou para aprender a língua portuguesa em apps de inteligência artificial. Atualmente tem até música em português 

  • Os dois snowboarders têm origem distinta. Augustinho Teixeira nasceu em Ushuaia, na Argentina, e cresceu no Brasil antes de se mudar para o Canadá. Pat é de Lausanne, na Suíça, e cresceu aos pés dos alpes suíços.  

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