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Panamá 2026: COB intensifica Esporte Seguro para proteger atletas do Time Brasil

Delegação brasileira com maioria adolescente contará com capacitação, apoio psicológico e Oficial de Salvaguarda durante os Jogos Sul-americanos da Juventude

Por Comitê Olímpico do Brasil

26 de mar, 2026 às 14:00 | 5 minutos de leitura

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A 16 dias dos Jogos Sul-americanos da Juventude Panamá 2026, os últimos detalhes do Time Brasil são alinhados. E um deles merece destaque. Com uma delegação majoritariamente formada por adolescentes (cerca de 95% dos atletas tem menos de 18 anos), o Comitê Olímpico do Brasil (COB) dá especial atenção à área Esporte Seguro, com foco na prevenção de riscos, no acolhimento e na resposta a eventuais situações de vulnerabilidade.

Alinhadas às diretrizes do Comitê Olímpico Internacional (COI), especialmente às prioridades estabelecidas na Agenda Olímpica 2020+5, as ações do COB buscam assegurar um ambiente esportivo saudável, ético e protegido para atletas, comissões técnicas e demais membros da delegação.

"Quando o atleta se sente respeitado, protegido e apoiado, ele consegue ter um desenvolvimento integral, não só na performance esportiva, mas também como pessoa. O Esporte Seguro tem um papel essencial nisso: criar um ambiente seguro, acolhedor onde o atleta possa colocar seu foco na sua evolução, aprendizado e bem-estar. E o Comitê Olímpico do Brasil estar atento a isso mostra um avanço muito importante e necessário para o esporte como um todo. E principalmente para o desenvolvimento da nova geração de jovens atletas", explica a Chefe de Missão do Time Brasil em Panamá 2026, a medalhista olímpica no Rio 2016 Poliana Okimoto.

Durante a Missão, a estrutura de proteção é reforçada pela atuação de um Oficial de Salvaguarda — profissional capacitado por meio do programa Safe Sport Certificate, desenvolvido pelo COI. Esse especialista atua como ponto de referência dentro da delegação, monitorando o ambiente, identificando possíveis situações de vulnerabilidade e oferecendo orientação e acolhimento a atletas e demais integrantes.

No Panamá, Mariany Nonaka, ex-atleta olímpica de tênis de mesa e advogada do COB desde 2019 desempenhará este papel. "Participei da primeira turma do Curso Safe Sport Certificate do COI e, de fato, foi um divisor de águas para mim. Como mulher e ex-atleta pude entender melhor uma série de desconfortos que vivemos e muitas vezes não sabemos nomeá-los. Ao longo do curso entendi que são violências e o que essas violências geram na vida do atleta, suas consequências. Isto me trouxe muita reflexão e uma sensação de urgência, pois entendi que muita coisa precisa ser mudada", conta Mariany.

Antes mesmo do embarque para o Panamá, todos os integrantes da Missão passam por um processo obrigatório de capacitação, com a realização de cursos do Instituto Olímpico Brasileiro (IOB) que abordam temas como prevenção de assédio e abuso, combate à discriminação, manipulação de resultados e antidopagem. A formação tem como objetivo ampliar a consciência sobre comportamentos inadequados e reforçar a responsabilidade individual na construção de um ambiente seguro.

A delegação também conta com apoio psicológico integrado às ações de Esporte Seguro. Profissionais da área atuam no acompanhamento emocional dos atletas, auxiliando na identificação precoce de sinais de vulnerabilidade e contribuindo para o encaminhamento adequado de cada situação.

"Panamá 2026 é muito importante para o COB. Temos muitos atletas com menos de 18 anos, a grande maioria com a oportunidade de viver um evento multiesportivo pela primeira vez. É quando eles começam a entender o que é uma missão, o que é o Time Brasil. Têm a chance de conviver com atletas de outros esportes, de diferentes perfis, então é uma responsabilidade muito grande para o COB", acredita Mariana Mello, Gerente de Projetos Esportivos Especiais do COB e que será sub Chefe de Missão no Panamá.

Outro avanço está no desenvolvimento de protocolos operacionais específicos para diferentes frentes da Missão, como transporte, hospedagem, atendimento médico e atividades de lazer. As diretrizes estabelecem padrões de conduta e procedimentos preventivos para reduzir riscos e garantir maior segurança nas interações entre atletas e equipes técnicas. É um mundo novo que se abre para esses jovens e o cuidado para garantir uma experiência memorável é importante.

"Claro que teremos muita atenção com esses atletas. Mas é também uma oportunidade que não podemos e não vamos perder: a de ajudar a colaborar na educação e na formação desses jovens. Por isso, teremos palestras sobre o que envolve o Esporte Seguro. Eles ouvirão sobre prevenção a abuso e assédio moral e sexual. Falaremos sobre racismo, sobre violência de todos os tipos. Vamos tratar de educação contra o doping, contra manipulação de resultados. Sabemos o quanto isso é importante para a formação como ser humano. E, claro, para os competidores que queremos ter. Nossos futuros atletas olímpicos", destaca Mariana.

Com este conjunto de ações, o COB busca consolidar um modelo de gestão que prioriza a integridade física, psicológica e moral dos participantes. Em um ambiente que reúne jovens atletas em processo de formação, a aplicação rigorosa das políticas de Esporte Seguro se torna elemento central para garantir não apenas o desempenho esportivo, mas também a proteção e o bem-estar de toda a delegação brasileira. Como instituição, o Comitê Olímpico do Brasil já implementava ações neste sentido. O que muda a partir de Panamá 2026 é um reforço ainda maior com a criação da área Esporte Seguro.

É neste sentido que ganha relevância o Oficial de Salvaguarda, que tem objetivo de capacitar e conscientizar todos os membros da delegação acerca dessas violências antes e durante a Missão. "Meu compromisso é estar disponível para certificar que o ambiente esteja seguro no contexto dessas violências, bem como em questões relacionadas à manipulação de resultados e antidopagem. O trabalho do Oficial de Salvaguarda não inclui a condução de investigações formais, mas sim o suporte inicial e a mediação de situações sensíveis. Quando necessário, casos são encaminhados ao Canal de Ouvidoria e Ética, responsável por conduzir apurações internas de forma sigilosa, inclusive com possibilidade de denúncias anônimas. Mas estaremos sempre cuidando das pessoas da forma mais acolhedora e humana possível", garante Mariany.

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