Opinião: Torcer é viver numa montanha-russa de emoções
Nem sempre o resultado é o que se esperava! Assim como a própria vida, nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 é preciso compreender, aceitar e encontrar motivos para sorrir quando algo não sai como o desejado

Pat Burgener ficou com o 14º lugar no snowboard halfpipe. Foto: Rafael Bello/COB
*Por Gustavo Longo, especialista em Jogos Olímpicos de Inverno
Se um dia comemoramos um resultado histórico para o país nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026, no outro precisamos entender que nem tudo sai como o esperado. Um dia após Manex Silva, Eduarda Ribera e Bruna Moura iniciarem tão bem a campanha do Time Brasil no esqui cross-country, Augustinho Teixeira e Pat Burgener, principalmente, não avançaram à final do snowboard halfpipe masculino.
Faltou pouco para Pat, que passou a defender as cores brasileiras nesta temporada e rapidamente caiu nas graças dos torcedores, atingir este feito – que seria inédito para o país. Tanto que foi a primeira vez em cinco provas nesta temporada que ele não esteve entre os 12 melhores que se garantiam na decisão. Ficou aquela sensação estranha de que dava para ir mais longe.
Naturalmente, ninguém gosta de perder – e o próprio atleta é o primeiro a ficar triste ou bravo com seu desempenho. Porém, já pontuei anteriormente neste espaço que Milão-Cortina 2026 representa uma oportunidade única para os torcedores brasileiros admirarem o esporte pelo que é (e não apenas pelo resultado em si). Perde-se mais do que ganha, e muitas vezes por questões que estão além do controle, como um vento forte, uma nevasca, um gelo mais derretido. É necessário reconhecer as pequenas vitórias que cada contexto traz.
Portanto, como diria Dédalo a Ícaro na famosa passagem da mitologia grega, “nem tanto ao céu, nem tanto ao mar”.
Um evento como os Jogos Olímpicos representa uma verdadeira montanha-russa de emoções para os torcedores de todos os países. Nem sempre o dia será positivo ou cheio de medalhas. Haverá frustrações, tristezas e até raiva. Mas também terá alegrias, grandes conquistas e boas histórias para se emocionar. O importante é encontrar esse meio-termo e, mais importante, seguir acreditando sempre.
Claro, todos esperavam que Pat Burgener fizesse final nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026. Ainda assim, ele teve o melhor resultado masculino do Brasil na história dos Jogos Olímpicos de Inverno. E o que dizer de Augustinho Teixeira? Vigésimo-quarto no ranking pré-Olímpico e 19º na neve italiana! Um ótimo resultado dentro do top 20, apenas o quinto de nossa história em provas com mais de 25 competidores.
É com esse sentimento que devemos guiar os próximos dias da campanha brasileira nesta edição dos Jogos Olímpicos de Inverno. A começar por esta quinta-feira, 12 de fevereiro, com a prova de 10km feminino do esqui cross-country com Eduarda Ribera e Bruna Moura. E não se surpreenda se, talvez, a gente celebrar mais um resultado extremamente positivo para o país.
Alguns números sobre Pat Burgener e Augustinho Teixeira
Juntos, eles conquistaram os dois melhores resultados do Brasil em eventos masculinos na história dos Jogos Olímpicos de Inverno, superando a 20ª do Bobsled 4-man em 2022
Foram os melhores resultados sul-americanos no snowboard Olímpico entre os homens, superando a 21ª posição de Mariano López no slalom gigante em Nagano 1998
A 14ª posição de Pat Burgener é o terceiro melhor resultado do Brasil na história, atrás apenas da 9ª posição de Isabel Clark (snowboard cross em Turim 2006) e da 13ª posição de Nicole Silveira (skeleton em Beijing 2022)
Com o top 20 nos Jogos Olímpicos de Inverno, Augustinho Teixeira integra uma seleta lista: é apenas o sétimo atleta brasileiro a ficar entre os 20 primeiros em uma etapa da Copa do Mundo, campeonato mundial e Jogos Olímpicos de Inverno.
Além dele, obtiveram essa marca Isabel Clark (snowboard), Nicole Silveira (skeleton) e os integrantes do bobsled Edson Bindilatti, Edson Martins, Erick Vianna e Rafael Souza.












