Opinião: A dança dos números – e das informações – nos Jogos Olímpicos de Inverno
Acompanhar os feitos históricos do Time Brasil nos Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 evidentemente passa pelos resultados, mas também por dados e histórias que contextualizam objetivos e metas.

Rafael Bello/COB
*Por Gustavo Longo, especialista em Jogos Olímpicos de Inverno
Todo torcedor precisa ser um pouco matemático. Diante da paixão nas arquibancadas ou em casa, ele lida com números o tempo todo. Quantidade de gols e de pontos, projeções, médias, somas e subtrações. Tudo para saber se sua equipe ou atleta preferido está com um bom desempenho, ou não, em uma competição. É assim em todos os eventos esportivos, mas nos Jogos Olímpicos de Inverno os cálculos são muito mais complexos – e importantes – para compreender o sucesso dentro de uma determinada prova.
Há o resultado em si, as notas, o tempo, os pontos FIS ou IBU (para modalidades de esqui ou biatlo), o tempo de largada em esportes de trenó, o valor-base de elementos técnicos na patinação, o percentual de jogadas no curling… Ufa, a lista é grande e certamente nem citei metade das variáveis que os atletas, técnicos e dirigentes presentes em Milão-Cortina 2026 precisam lidar diariamente junto a questões mais burocráticas no dia a dia, como processos operacionais e logísticos.
Não à toa os números, por si só, podem dizer apenas uma “meia-verdade”. E como costumam dizer, se é uma “meia-verdade”, também será uma “meia-mentira”.
Em um estágio ainda precoce de desenvolvimento esportivo (como é o caso do Brasil nos esportes olímpicos de inverno), em que atletas e esportes encontram diferentes cenários, focar apenas no resultado em si nem sempre vai condizer com a real dimensão de um determinado desempenho. Há aqueles que brigam por títulos e pelas primeiras posições; e outros que brigam por melhores ranqueamentos. A régua de um não pode ser a mesma para medir o sucesso do outro.
Basta olhar o desempenho da dupla Eduarda Ribera e Bruna Moura no sprint por equipes na despedida do Brasil no esqui cross-country nesta quarta-feira, 18 de fevereiro. Um olhar superficial indica a 21ª posição de 26 duplas participantes. Pode parecer pouco, não é mesmo? Mas esta é apenas a segunda participação do país neste tipo de prova – e se há quatro anos dividimos a 23ª – e última – posição com outras três duplas, agora ficamos na frente de cinco países e há menos de trinta segundos da vaga à final. Sim, houve uma evolução que deve ser comemorada.
Isso não significa que o resultado deixa de ser importante. Pelo contrário, continua sendo o ponto final de qualquer objetivo. Afinal, a base do esporte é justamente medir seus esforços contra adversários – e vencê-los na maioria dos casos, evidentemente. Mas enquanto o grande resultado segue como um sonho a ser alcançado e não como uma realidade palpável, é necessário encontrar outras métricas para avaliar e até para torcer. Quando todos são realistas com suas expectativas, fica mais fácil de perceber as ‘pequenas vitórias’ e os feitos que normalmente se escondem atrás dos números.
Já comentei neste espaço que os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 representam uma oportunidade única para nós, enquanto torcedores, admirarmos o esporte pelo que é, e não apenas pelas vitórias em si. Isso segue valendo mesmo com a nossa primeira medalha de ouro Olímpica de inverno no pescoço. Até que um dia poderemos olhar para trás e nos orgulharmos de toda a trajetória de nossos atletas enquanto vibramos com suas conquistas na neve e no gelo.
Veja o que o Brasil já conquistou em Milão-Cortina 2026:
A primeira medalha (e de ouro) de um país latino-americano nos Jogos Olímpicos de Inverno graças a Lucas Pinheiro Braathen no esqui alpino
O melhor resultado do Brasil em modalidades de gelo com Nicole Silveira no skeleton
Três dos cinco melhores resultados do Brasil na história dos Jogos Olímpicos de Inverno com Lucas, Nicole e Pat Burgener no snowboard halfpipe
Quatro resultados no top 20 em três esportes diferentes: esqui alpino, skeleton e snowboard – duas vezes
Melhores resultados do Brasil no esqui cross-country em posição e em pontuação FIS com Manex Silva
Melhores resultados do país (em posição) no sprint por equipes do esqui cross-country e no bobsled 2-man












