Opinião: Explode, coração! Vamos aproveitar que é hoje o dia da alegria
Quis o destino que num sábado de carnaval o Time Brasil terá em ação em Milão-Cortina 2026 os dois atletas que levaram o calor e a alegria dos brasileiros para a neve e o gelo mundo afora.

Rafael Bello/COB
*Por Gustavo Longo, especialista em Jogos Olímpicos de Inverno
Os Jogos Olímpicos de Inverno Milão-Cortina 2026 não têm sambódromo, mas um pouco do carnaval brasileiro estará presente na neve e no gelo da Itália neste 14 de fevereiro. É neste sábado de folia que temos a rara oportunidade de testemunharmos Lucas Pinheiro Braathen e Nicole Silveira em ação no mesmo dia e com chances de resultados históricos para o Time Brasil. Ele no esqui alpino, em sua estreia Olímpica pelo Brasil; ela no skeleton, em busca de melhorar seu resultado de quatro anos atrás.
Liderando a nossa comissão de frente, Lucas chega credenciado pelos ótimos resultados nesta temporada. São cinco pódios, incluindo a inédita vitória no slalom em Levi, na Finlândia. Ele também chega com uma sequência de nove provas consecutivas no top 5. Isso mesmo, nas últimas nove corridas que disputou, o brasileiro ficou, pelo menos, na quinta posição.
Então diga espelho meu, se há na pista de esqui alguém mais feliz que eu?
Nicole, por sua vez, chama a atenção não com seu carro alegórico, mas sim com um trenó e capacete que traz alegorias que remetem à sua origem e ao Brasil. Por meio dela ela desliza mundo afora, conquistando resultados históricos ao longo dos últimos dois anos. É de Nicole, por exemplo, o primeiro pódio de um atleta brasileiro em etapa de copa do mundo dos esportes olímpicos de inverno.
Então me dê a mão, me abraça! Viaja comigo pra pista de gelo!
Lucas Pinheiro Braathen e Nicole Silveira se tornaram mestre-sala e porta-bandeira do Brasil nos esportes de inverno. Sim, outros atletas igualmente importantes abriram passagem para o país nessas modalidades, mas é graças aos feitos de ambos que a bandeira brasileira passou a ser vista com destaque neste novo universo. Se hoje olhamos para a parte de cima da classificação e vislumbramos novos objetivos, muito se deve a estes dois atletas.
Evidentemente, como um bom desfile de carnaval, é necessário ter evolução e harmonia. Décima-segunda colocada no primeiro dia do skeleton feminino, Nicole sempre deixou claro que o mais importante é se sentir feliz com sua performance. É claro que todos sonharam com algo a mais após os resultados históricos, sobretudo os da última temporada. Mas a avenida, ops, as pistas de gelo premiam toda a caminhada. Há quatro anos, ela comemorava a 13ª posição; hoje, ela luta pelo top 10 em um percurso que desde o início não lhe agradou.
Lucas também carrega essa ‘pressão e privilégio’, como ele já repetiu várias vezes. Como a bateria no carnaval, ele sabe que está em seus ombros o ritmo que animará os torcedores brasileiros em Milão-Cortina 2026. Isso em uma modalidade extremamente desafiadora: uma única derrapada com o esqui na neve e ele simplesmente estará fora da prova. O que separa a nota 10 (ouro) do 9.9 (que pode custar a medalha) é uma linha muito tênue.
Portanto, o melhor que nós, torcedores, podemos fazer neste sábado de carnaval é aproveitar a chance de celebrar e reverenciar dois dos maiores atletas de esportes de inverno do Brasil. Sem pressão por conquistas, medalhas e resultados históricos. Independentemente dos resultados que vierem, Lucas e Nicole sabem que se apresentaram muito bem ao longo de sua trajetória – e que outros carnavais certamente virão pela frente. Só queremos explodir nosso coração na maior felicidade!
Fatos e curiosidades sobre as estreias de Lucas Pinheiro Braathen e Giovanni Ongaro em Milão-Cortina 2026
Com Lucas e Giovanni amanhã, o Brasil confirmará sua décima edição Olímpica presente no esqui alpino. É o único esporte que o país está presente em todas as edições.
Giovanni Ongaro foi uma das surpresas do Mundial de Esqui Alpino 2025: ele não só furou a classificatória, como ficou no top 50 no slalom.
Depois de passar pela classificatória, Giovanni Ongaro voltou ao hotel e encontrou o próprio Lucas Pinheiro Braathen o aplaudindo pelo resultado
Lucas Pinheiro Braathen já tem 22 pódios em etapas da Copa do Mundo – dez deles em menos de duas temporadas pelo Brasil
A primeira língua falada por Lucas Pinheiro Braathen foi o… português, ensinado pela mãe em casa!
Lucas e Giovanni têm raízes na região sudeste. A família materna de Lucas é de São Paulo e Campinas (SP); a de Giovanni é de Vitória (ES).
Os dois brasileiros esperam terminar a primeira prova Olímpica da carreira. Giovanni é estreante, mas Lucas não completou as duas provas que participou em Beijing 2022.
Eles têm a chance de estabelecer novos parâmetros do país no esqui alpino Olímpico: o melhor resultado é a 30ª posição de Nikolai Hentsch no slalom gigante em Turim 2006 e a melhor pontuação FIS é de Jhonathan Longhi em Vancouver 2010 com 90.33 pontos












